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25 de julho de 2014

O que o filme The Normal Heart tem a dizer sobre a AIDS?

O número de infecções por AIDS continua aumentando entre os jovens, criando o risco de uma possível nova epidemia. O filme The Normal Heart conta os primórdios do HIV e dá um recado para a geração atual.

The Normal Heart
Sabe aquele tipo de filme que você assiste com expectativa mediana e te pega de jeito logo nos primeiros minutos? Então, The Normal Heart (2014) da HBO é assim. Posso dizer que ele também integra um outro grupo de filmes, aquele que te faz chorar desesperadamente e provoca uma dor inigualável, quase como se você tivesse perdido alguém. Não é exagero. Se pararmos pra pensar, perdemos alguém mesmo. Perdemos uma geração inteira para uma doença que até hoje não tem cura: a AIDS.

Há mais de 30 anos foi registrada a primeira morte de um portador do vírus HIV nos EUA. Na época, o vírus chegou como uma avalanche, estigmatizando gays e acabando com milhares de vidas em questão de meses. Levou um tempo, mas o mundo entrou em um intenso programa de prevenção a fim de acabar com a epidemia. Anúncios como o da United Colors of Benetton (que mostra David Kirby sofrendo e prestes a ser mais uma vítima [clique para ver]), e frequentes notícias de pessoas famosas morrendo estampavam as manchetes de jornais. Só que a nossa geração não viveu para presenciar esse momento horrível, ela não viu seus ídolos perderem a luta para a AIDS. E é aí que mora o perigo.

Se em 1981, pessoas eram dizimadas e o número de infectados crescia descontroladamente por negligência do Governo, atingindo seu pico em 2005, hoje a doença desacelera o passo, porém é a população que se tornou negligente. Novos casos continuam sendo registrados, principalmente entre os jovens do mundo todo [clique para ler], com atenção especial para os brasileiros e alguns grupos. As mortes por AIDS caíram 1/3 no mundo [clique para ler], mas o número de infecções no Brasil teve aumento de 11%. E segundo relatório emitido pela OMS em 2013, a doença segue crescendo entre a população de 15 a 24 anos, o que é assustador. Não poderia haver cenário mais propício para o lançamento de The Normal Heart.

Dirigido por Ryan Murphy (American Horror Story, Glee), o longa é uma adaptação da peça homônima criada por Larry Kramer em 1985. O roteiro da versão para as telinhas também ficou por conta de Kramer, e não poderia ser diferente, porque é uma obra estritamente autobiográfica, baseada em fatos reais. Larry tem importância histórica como um dos ativistas responsáveis pela criação da Gay Men’s Health Crisis (GMHC), maior organização privada na assistência a pessoas com AIDS. Conhecido por sua personalidade forte, ele não economiza verdades em The Normal Heart. E ainda tem o fato de que Ryan Murphy adora quebrar paradigmas, o resultado não poderia ser menos que extraordinário.

A história conta os primórdios da epidemia, acompanhando um grupo de homossexuais entre 1981 e 1984. Mark Ruffalo interpreta o alterego de Kramer, Ned Weeks, que organiza a GMHC para lutar contra a AIDS, enquanto vê seu namorado Felix Turner (Matt Bomer) tentando sobreviver e amigos sendo levados pela mesma. Imagina ir a um velório toda semana? Se é difícil imaginar, Murphy e Kramer fazem questão de mostrar em cenas chocantes e, ao mesmo tempo, sensíveis. Isto é ótimo para que nossa geração sinta na pele o que o descuido pode causar. Quanto às atuações, todas estão maravilhosas – com destaque para Ruffalo e Julia Roberts –, porém a que mais surpreende é a de Matt Bomer. Talvez pela imagem de moço intocável que ele sempre passa em seus trabalhos. Bomer aqui traz puro talento, equilibrando drama e sensibilidade.

Diante do cenário de uma possível nova epidemia, The Normal Heart presta um serviço a sociedade de hoje. No entanto, a sua verdadeira relevância antropológica está em expor o impacto que a AIDS causou na história LGBT, e o que o “câncer gay” (como era conhecida a doença) significou para a geração pós-revolução sexual. O filme serve como alerta. Sinal de um mal esquecido que permanece entre nós de maneira silenciosa.

Assista e depois comente!

/ Para saber mais:
Especial AIDS no Vestiário

Uma edição especial da revista digital Vestiário sobre a AIDS, lotada de informações e relatos pessoais de cortar o coração. Vale muito a leitura!

5 motivos pelos quais o HIV continua crescendo entre homens gays e bissexuais

Cada vez mais jovens estão sendo infectados pelo HIV, mas um grupo especial está nos holofotes.

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Criador do @cultpopshow, amante de cultura pop e boas conversas. Faminto por novas ideias e fascinado pela história da juventude. Ama ler, escrever, ouvir músicas e assistir a séries de TV.

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