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22 de novembro de 2013

The Antwerp Six e o impacto da moda belga no mundo

O coletivo The Antwerp Six revelou a moda belga para o mundo, além de ter inaugurado a estética minimalista dos anos 90. A importância do grupo e as novas apostas da moda belga logo abaixo.

The Antwerp Six

Foto: Divulgação por Philippe Costes/WWD Archive

Quando pensamos nos grandes polos da moda, temos em mente as cidades de Milão, Paris, Londres e Nova Iorque, conhecidas principalmente por suas semanas de abrangência internacional. Um adendo: São Paulo também está entre a elite, precisamente em 7º lugar na seleta lista de Capitais da Moda, mas esta é uma história para outro dia. Apesar de abrigarem seus nativos e grifes importantes, elas também recebem uma gama de estilistas e profissionais realmente talentosos. Aliás, é expressivo o número de designers que originaram de outros lugares e integram os calendários de moda dessas cidades.

Nesse sentido, alguns deles vieram da Bélgica, da cidade de Antuérpia para ser mais precisa. O local é conhecido por sediar um dos departamentos de moda mais renomados e promissores do mundo, na Royal Academy of Fine Arts. Mas o reconhecimento é facilmente explicado por um ponto bem relevante na história da escola, a formação de um coletivo de estilistas conhecido como The Antwerp Six entre 1980-81.

O visionário The Antwerp Six

O The Antwerp Six foi um grupo composto por Dries Van Noten, Ann Demeulemeester, Walter Van Beirendonck, Dirk Van Saene, Marina Yee e Dirk Bikkembergs. Embora houvesse incentivos e suporte do Governo para a produção de moda em território nacional, isso não era o suficiente para que os alunos tivessem o devido reconhecimento, o que levou à imigração destes seis estilistas para Londres no ano de 1986, com o único objetivo de exibirem suas criações.

Londres, com toda sua essência jovial e rebelde, era o lugar perfeito para ver e ser visto, e assim aconteceu: um editor da revista i-D viu o trabalho desenvolvido pelo The Antwerp Six e adorou o resultado, ocasionando a repercussão tão desejada perante a mídia internacional. As coleções, consideradas vanguardistas, eram radicais, frias e minimalistas, inaugurando uma nova estética que persistiu na década de 90.

Isso mudaria os rumos da moda belga e eventualmente impactaria a mundial. A partir desse momento, a Bélgica passou a graduar estilistas para o mundo, além de atrair milhares de alunos estrangeiros à Royal Academy of Fine Arts.

Maison Martin Margiela

Coleções de Maison Martin Margiela

Raf Simons

Raf Simons

Outros nomes célebres que seguiram os passos do The Antwerp Six são Raf Simons — ex-assistente de Walter Van Beirendonck, ex-Diretor Criativo da Jil Sander e atual Diretor Criativo da Dior, além de manter sua própria marca —; Martin Margiela, que terminou seus estudos um ano antes do famoso grupo e é frequentemente confundido como integrante do mesmo, viu seu trabalho ascender nos anos 90 quando foi Diretor Criativo da Hermès, entre 1997 e 2003, e hoje possui a sua proeminente grife Maison Martin Margiela; Kris Van Assche, o qual trabalhou como assistente de Hedi Slimane na Yves Saint Laurent, estendendo sua parceria com Slimane na Dior, e hoje está à frente da direção artística da Dior Homme.

O futuro da moda belga

A colaboração da Antuérpia vem crescendo a cada ano, mesmo quando os estudantes não possuem suas próprias marcas, estão ajudando a compor equipes de grandes grifes como Chanel, Prada, Marc Jacobs e outros. Alguns deles já ganharam reconhecimento na área, tornando-se as próximas grandes apostas da moda belga. Conheça alguns:

Peter Pilotto

Christopher Des Vos e Peter Pilotto

Christopher Des Vos e Peter Pilotto

A marca Peter Pilotto é o resultado da colaboração entre dois amigos: o libanês Christopher Des Vos e o austríaco Peter Pilotto. Eles se conheceram no ano de 2000 enquanto estudavam na Royal Academy of Fine Arts, e a partir desta amizade surgiu a parceria.

Conhecidos por suas estampas, desenhos brilhantes e fascínio pelas formas esculturais e por temas que envolvam a natureza, a marca já desfilou em mais de 10 edições da semana de moda de Londres, e atualmente supera a marca de 140 varejistas que distribuem suas roupas por cerca de 29 países. No ano de 2010, ganhou ainda mais reconhecimento após assinar uma coleção de bolsas para a marca Kipling.

Bruno Pieters

Bruno Pieters

Bruno Pieters – Campaign I.

Nascido na Bélgica, o designer possui um currículo e tanto, já tendo trabalhado para grifes conceituadas como Maison Martin Margiela, Thimister e Christian Lacroix. Assumiu a direção criativa da Hugo Boss.

Hoje, seu foco é direcionado à sua própria marca, a Honest By Bruno Pieters, que recebe esse nome porque oferece total transparência ao consumidor dos processos de produção das peças, fabricação e preços, indo de encontro com a proposta sustentável do slow fashion.

Manon Kündig

Manon Kündig

Desfile de Manon Kündig

Nascida na Suíça, ao estudar na Royal Academy of Fine Arts teve Walter Van Beirendonck como um de seus professores. Graduou-se em 2012. Para a sua pós-graduação, apresentou uma coleção masculina chamada “Bowerbird”, na qual foram utilizadas estampas desenvolvidas por ela. Seu trabalho em estamparia é bastante jovem e remete muito à internet, uma vez que ela pesquisa imagens no Google para desenvolver seu trabalho e conta também com bastante auxílio do Photoshop, o que resulta em combinações de cores e imagens bem marcantes.

Devon Halfnight Leflufy

Devon Halfnight Leflufy

Coleção de Devon Halfnight Leflufy

Foi no ano de 2009 que o canadense Devon Halfnight Leflufy decidiu estudar moda na Royal Academy of Fine Arts. Completando seu mestrado no início de 2013, a sua coleção de pós-graduação recebeu o nome “True Believers” e foi suficiente para que ele recebesse atenção, tendo seu trabalho apresentado pela Opening Ceremony — celebração da moda belga e seus velhos e novos talentos.

/ Para saber mais:
Top 10 visionários da moda belga

A Dazed&Confused elegeu os 10 estilistas mais importantes da Bélgica.

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Apaixonada por séries, arquitetura, moda e design. Escreve aqui sobre o que mais gosta, transitando entre estes tópicos. Seus textos são uma mistura entre o novo e o clássico.

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