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19 de maio de 2014

RuPaul’s Drag Race, amor próprio e a salvação dos reality shows

Em apenas seis anos, RuPaul's Drag Race mudou a percepção mainstream do que é ser drag e trouxe novidade à antiga fórmula dos reality shows. Quer saber como?

RuPaul's Drag Race

RuPaul’s Drag Race chega ao final de sua sexta temporada invertendo a ordem natural do mundo televisivo. Geralmente, programas de TV estreiam com um grande buzz e, ao longo do tempo, vão perdendo o gás até serem cancelados. Mas com Drag Race ocorreu o inverso. A atração estreou em 2008 no canal pago americano LogoTV – dedicado ao público LGBT –, como a maior audiência de sua grade. Porém, levando em consideração o número total de viewers da emissora (muito baixo, na época), o buzz ainda estava longe de ser comparado ao de outros programas em nível mundial. Algo que mudou ao longo dos seis anos de existência. RuPaul’s Drag Race é hoje uma das maiores representações da cultura gay na TV, além de atualizar a fórmula batida dos reality shows.

Com o objetivo de eleger a “America’s next drag superstar”, RuPaul – uma das maiores drag queens da história, que atingiu o sucesso global nos anos 90 –, e seus amigos famosos julgam drag queens que estão na corrida pela coroa. Enquanto outros realities são guiados por uma única finalidade (ser o melhor modelo, cantor, dançarino, etc), RuPaul’s Drag Race avalia outros tantos quesitos e eleva o prêmio a um valor muito mais simbólico e subjetivo. Para levar pra casa o título, a participante precisa ter uma presença de palco incontestável, estilo, bom gosto, personalidade marcante, habilidade de criar suas próprias roupas e conceitualizar sua persona. Ou então, como RuPaul resume, precisa ter “charisma, uniqueness, nerve and talent”.

Apesar de parecer um programa de nicho, RPDR é mais abrangente e serve como um molde para o mundo real, cheio de preconceito, discriminação, injustiça e desigualdade. O show proporciona às queens uma simulação do que elas enfrentam/enfrentariam na vida, atribuindo aprendizado e resistência às suas causas. Sem falar que a competição não é centralizada apenas nos conflitos. Em qualquer outro concurso, sob o pretexto de que não estão ali pra fazer amigos, os participantes são capazes de tudo pra acabar com seus adversários. RPDR vai contra isso. Inclusive, escala queens das temporadas anteriores para participações especiais, interações, produção de conteúdo exclusivo pra web, shows, entrevistas, etc. Obviamente, há a parcela saudável de shade, mas no fim das contas, são todos membros de uma grande família.

Recheado de muita maquiagem, glitter e performances que nos fazem ficar gagging de tanta eleganza, RuPaul’s Drag Race mudou a percepção mainstream do que é ser drag e renovou um gênero de TV que estava há tempos caído. É um programa sobre superação, redenção e, acima de tudo, amor. Aprendemos que ser vulnerável não significa ser fraco. E amar a si mesmo é uma tarefa extremamente complexa, que exige esforço diário. Como diz Ru, “if you can’t love yourself, how in the hell you gonna love somebody else? Can I get an Amen up in here?”. AMÉM!

E pra encerrar, um vídeo com alguns dos melhores lip sync for your life:

/ Para saber mais:
Quando assistir RuPaul’s Drag Race se torna um ato político

Denis Pacheco, em um artigo sickening, conta por que RPDR não é apenas um simples reality show.

12 lições de vida de RuPaul’s Drag Race

Ami Angelowicz lista 12 lições que aprendeu com RPDR e vai levar pra vida.

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Criador do @cultpopshow, amante de cultura pop e boas conversas. Faminto por novas ideias e fascinado pela história da juventude. Ama ler, escrever, ouvir músicas e assistir a séries de TV.

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