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9 de novembro de 2014

Gotham: primeiras impressões e expectativas

A série Gotham traz o universo de Batman mais uma vez para a televisão. Contamos o que aconteceu até agora e o que esperar para a próximas temporadas?

Há dois meses teve início a fall season da TV norte-americana e com ela a estreia de Gotham, série que leva mais uma vez o universo de Batman para a televisão. Com uma enorme expectativa, a série foi a mais baixada entre as estreias do outono americano: 1,33 milhão de vezes em apenas doze dias. No entanto, será que Gotham correspondeu a toda essa ansiedade? Qual sua relação as HQs? O que esperar da produção?

Uma boa estreia

Apesar de debutar no mesmo dia em que The Big Bang Theory estreava sua nova temporada na CBS (com o absurdo de 17,9 milhões de espectadores), os números de Gotham animaram seus produtores: 8 milhões de americanos sintonizaram na FOX para ver a morte da família Wayne! O segundo episódio, “Selina Kyle“, manteve uma média próxima ao do anterior com 7,3 milhões de espectadores e 2.8 pontos na demo.

O episódio piloto cumpre os objetivos básicos de apresentar os personagens principais e apertar o gatilho (literalmente) para a história da origem do Homem-Morcego. Com um ar mais maduro, até então ausentes em outros seriados da DC ComicsGotham tem ainda ótimas escalações no elenco: Benjamin McKenzie (The O.C.), Jada Pinkett Smith, Sean Pertwee (Skins) e o jovem David Mazouz, que faz um bom jovem Bruce Wayne. Robin Lord Taylor promete nos mostrar uma versão interessante para o vilão Penguin. Também é digna de nota a semelhança entre Camren Bicondova e consagrada Michelle Pfeiffer, a Catwoman de Batman Returns (1992).

Nota DCnauta: Ben McKenzie se importou com a reclamações dos fãs por seu James Gordon não ter o bigode característico do personagem. Entretanto, segundo o ator, Bruno Heller (criador da série) disse que era necessário que Ben adquirisse mais idade e experiência para poder passar a sabedoria necessária com um bigode.

Impressões

Antes de apresentar as primeiras impressões, vamos ver o que diz a sinopse da série divulgada pelo Warner Channel:

Segundo palavras do próprio Bruno Heller, criador de “The Mentalist” e “Rome” e produtor executivo da série, “Gotham” conta as origens dos grandes super vilões da DC Comics e como eles chegaram a se tornar o que todos conhecemos. Nesta versão muito mais real e crua da Gotham City, estaremos na primeira fila para ver como e pequena Ivy se converte em Poison Ivy; como o Coringa, Pinguim, Charada e até mesmo a Mulher- Gato chegam a se tornarem as grandes lendas do crime organizado de hoje em dia. A cada episódio conheceremos a história de um novo vilão e veremos como se fortalece o laço entre o pequeno Bruno Wayne e o jovem detetive James Gordon, uma amizade que começou na noite do trágico assassinato de Thomas e Martha Wayne e que durará para toda a vida. “Gotham” é um relato alucinante e repleto de emoção que – segundo o próprio Heller– conta a história da cidade mais corrupta e violenta que existe, mas mostrada de maneira “divertida e obscura, perigosa e sexy, louca e bela.

O que temos na verdade é uma série policial que narra o início de novos tempos em Gotham City, a era pós-morte da família Wayne. Qual a reação da cidade depois do ocorrido, como o jovem Bruce lida com a morte de seus pais e como o detetive James Gordon viria a se tornar comissário, são alguns dos pontos que a série irá explorar. Como plano de fundo temos a máfia, políticos corruptos e uma Polícia que compactua com esse sistema incorreto.

Gotham

A única semelhança entre Smallville e Gotham é o fato de que ambas foram alcunhadas com as cidades em que seus heróis protagonistas surgiram. Diferente da origem do Superman, sempre revisitada e com inúmeras referências, muito ainda não foi contato sobre a origem do Cavaleiro das Trevas. Ou seja, será difícil construir uma relação com o futuro de Batman a cada episódio, o que pode deixar a série artificial e cansativa. A opção escolhida pelos produtores para conectarem a jovem Ivy (futura Hera Venenosa) à trama é um exemplo de como será preciso aprimorar essa relação no decorrer da série.

Nota DCnauta: Segundo Felipe Morcelli em seu Livro Fazendo o Homem Acreditar, em 1999 a Warner aprovou a produção de um seriado que contaria os “anos perdidos” da origem do Batman – o espaço de  tempo entre sua adolescência e sua transformação no Homem-Morcego. A série se chamaria Bruce Wayne e teria roteiro de Tim McCanlies e produção de Tollin-Robbins. A série foi cancelada após o sucesso dos primeiros filmes de X-Men de Bryan Singer, fazendo a Warner mudar de ideia e levar a franquia Batman mais uma vez aos cinemas. O enredo de Bruce Wayne foi todo reaproveitado em Gotham.

Heller se propõe repetir o tom realista usado por Christopher Nolan na trilogia The Dark Knight, mas erra já no segundo episódio. O roteiro deixa a desejar e desafia o entendimento do público sobre critérios jornalísticos, raciocínio lógico e tramas policiais – afinal, depois de CSI e NCIS fica difícil deixar passar falhas em seriados do gênero. Em seu quarto episódio (o melhor até agora) fica aparente a dificuldade dos roteiristas em construir casos intrigantes, semelhantes aos apresentados nas HQs do Batman.

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A série tem potencial, mas até agora nada disso foi realmente utilizado. O episódios têm sido sofridos para uma trama policial, dando os créditos da audiência a nossa grande expectativa em entender como o jovem Bruce veio a se tornar Batman. Quanto a isso, é preciso que os produtores entendam a essência do personagem e o representem melhor do que um pré-adolescente rebelde que ouve death metal. Mesmo sem superpoderes para serem descobertos, Bruce Wayne é dotado de uma inteligência fora do comum e isso precisa aparecer em Gotham, bem como sua fobia de morcegos.

Em suma, falhas no roteiro surgem aqui e ali, compensando na ótima atuação dos vilões e da relação entre Gordon e Bullok. Os pontos principais para o desenrolar da série já foram apresentados, mas não houve preocupação em desenvolver uma conexão entre eles. É importante que antes de se preocupar em mostrar as origens do Batman e seus vilões, a história contada deve fazer sentido.

Relação com as HQs

A morte da família Wayne foi revisitada nas páginas da primeira revista Anual do homem morcego na saga Novos 52!. O volume #Zero trouxe um jovem Bruce Wayne inconformado com a morte dos seus pais, indo ele mesmo à cena do crime a procura do assassino. A história escrita por Gregg Hurwitz atribuiu o crime ao ladrão Joe Chill, que confessou não saber quem eram, até olhar as manchetes no dia seguinte. Tal atitude parece algo incapaz para o jovem Bruce de Gotham.

Outra relação do seriado com atual fase de Batman nas HQs é o vilão “Dollmaker”, citado no segundo episódio do seriado. Criador de Bonecas (como foi traduzido para o Brasil), possui três versões dentro do Universo DC, sendo a última relacionada com o Homem-Morcego em Novos 52!. Tony Daniel, roteirista responsável por trazer o vilão para o batverso já no volume #1 da nova Detective Comics, explicou que o vilão veio para manter o clima pesado característico dos quadrinhos do homem morcego. Seria ele então o grande trunfo dos produtores para a primeira temporada da série?

Nota DCnauta: Criador de Bonecas é o patriarca de uma família de assassinos e também um maníaco que brinca com o corpo de suas vítimas, moldando-os e reconstruindo-os à vontade.

A relação com o universo construído por Christopher Nolan nos cinemas vai além do tom realista que a trama tenta passar. Ao apresentar Fish Mooney (vivida por Jada Pinkett Smith), personagem criada especialmente para a série, Gotham introduz Carmine Falcone, vilão interpretado por Tom Wilkinson em Batman Begins. Falcone é o chefão da mais poderosa família de mafiosos em Gotham, tem como rival de seu clã o mercenário Salvatore Maroni, a quem ordenou que desfigurasse o rosto do promotor Harvey Dent, transformando-o no vilão Duas-Caras.

Nota DCnauta: Don Falcone foi criado por Frank Miller (Sim City, Dark Knight) para a série Batman – Ano.

Expectativas

Por apresentar uma trama com tendência mais realista, personagens carismáticos e possibilidade de desdobramentos, Gotham não parece ter prazo de validade. Apesar do seriado não ter relação com o universo que está sendo construído por Zack Snyder no cinema, a narrativa se propõe a contar algo ainda não visto na TV ou cinema. Ao se desprender do universo ficcional de Snyder, Bruno Heller ganha autonomia para contar o processo de crescimento de Gordon dentro da Polícia da cidade ou até mesmo da juventude de Bruce até o momento do seu exílio (ponto inicial da trilogia de Nolan). As características estéticas de Gordon (sobretudo, óculos e bigode) deverão aparecer aos poucos, com o ganho de experiência do personagem na história. Acredito que ver o personagem tal qual como conhecemos, tem expectativa equivalente a aparição de Clark como Superman em Smallville (o que de fato não aconteceu).

Pelas contas isso garante cinco temporadas tranquilas para o seriado…

Isso se os produtores usarem as referências certas e Gotham sobreviver ao teste da segunda temporada. Entretanto, só as próximas semanas irão decidir o futuro da série da DC Comics. Vamos aguardar para entender se a audiência dos primeiros episódios irá se manter, ou pelo contrário, fazer da série um grande fiasco.

Analisando o que foi apresentado até agora, a primeira temporada contará a ascensão de Penguin na máfia da cidade, como a briga dos clãs Falcone e Maroni interfere na desenvolvimento de Gotham City e como os inimigos do Cavaleiros das Trevas eram antes de serem ameaças a ordem da cidade. No Brasil Gotham é exibido todas as segundas-feiras as 22h30 no Warner Channel.

Qual sua opinião sobre Gotham? Concorda ou discorda de algo deste post? Comenta e conta pra gente. Se você não assistiu, relaxa que não demos spoilers. Assiste e vem contar pra gente também!

/ Para saber mais:
DC Comics e o seu legado nos seriados

Conheça um pouco mais sobre o legado da DC Comics na TV nos seriados e o que ela preparou para essa temporada.

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Daniel David (ou o Dan Davi) é formado em Letras Inglês, mas optou por pesquisar Educação e Comunicação. Aspirante a ilustrador, geek, otaku, colecionador e mestre Pokémon.

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