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19 de novembro de 2013

O futuro chato dos filmes de ficção científica atuais

Os filmes de ficção científica estão mortos, definitivamente. Foi-se a época em que o gênero sugeria futuros alternativos inovadores.

Star Trek - Além da Escuridão

Star Trek – Além da Escuridão (2013)

Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante… existia um mundo em que os filmes de ficção científica previam futuros fantásticos e grandes ideias eram sugeridas como inspiração para distintas invenções. Esse mundo chegou ao fim na segunda metade dos anos 2000, dando lugar a outro pouco original e repetitivo. Foi-se a época em que os futuros do gênero eram inovadores. Hoje eles estão simplesmente chatos.

Primeiro, vamos nos lembrar dos últimos grandes filmes de ficção científica, alguns deles são: Prometheus, Star Trek: Além da Escuridão, Elysium, Oblivion e Depois da Terra. Os dois primeiros, apesar de clássicos, não nos trouxeram nada de incrível. Já os outros três são mais do mesmo com premissas que poderiam ser bem exploradas, mas estavam mais preocupados em mostrar cenas de tiros, lutas acrobáticas e efeitos especiais espalhafatosos.

Não me leve a mal, Prometheus e Além da Escuridão são incríveis. Mas se compararmos seus futuros com nosso presente, poucas coisas ficam. Separe as viagens espaciais, o teletransporte, carros voadores e outras engenhocas já vistas nos longas feitos entre os anos 60 e 80, o que sobra é uma reprodução minimalista e mais bonita do status quo. Nestes dois em particular, todo mundo anda com um iPad, utiliza telas touch de vidro ou falam aos celulares que muito lembram iPhones, por exemplo. Para uma série de TV que era conhecida por inspirar novas tecnologias e artimanhas, é decepcionante ver que a nova safra de Star Trek para o cinema é um apanhado de ideias do passado.

Hollywood está obcecada com o agora, isso é um fato. Basta contabilizar quantos reboots e remakes tivemos só nos últimos cinco anos: O Dia em que a Terra Parou (2008), o próprio Star Trek (2009) e O Vingador do Futuro (2012) são só alguns dos muitos exemplos. Para completar, quase todos ganham uma roupagem sintético-monocromática para deixá-los “atuais”. Onde está o exagero? Onde está a loucura de filmes como O Quinto Elemento? Tudo ficou tão previsível, evidenciando um mal que atinge a indústria cinematográfica: a falta de imaginação.

A ficção científica do século 21 tem se resumido a dois estereótipos de futuros batidos e surrados: apocalíptico ou minimalista. Se não é um pesadelo distópico, é uma representação do presente, como dito ali em cima. Aliás, Oblivion é uma mistura destes dois tipos, ou seja, duplamente clichê. Além disso, não existem mais roteiros preocupados em discutir temas pertinentes ao nosso tempo, levantar questões políticas e sociais, e com diálogos inteligentes sobre onde estamos e para onde vamos. Lembro de Blade Runner (1982) e Star Wars (1977), ambos com argumentos tão ricos e complexos que dão gargalhadas dos scripts de hoje.

Futuro chato dos filmes de ficção científica

Elysium tinha tudo para ser um excelente exemplo do gênero carregado de metáforas ligadas ao preconceito e desigualdade, mas se perde completamente quando resolve largar o cunho politizado estabelecido até a metade da trama para mostrar os diferentes usos de efeitos especiais. Nada contra efeitos especiais, pelo contrário, são justamente eles que me fazem perguntar por que diabos os longas atuais estão tão pobres?

Vivemos uma época tecnologicamente avançada que permite a concretização de qualquer premissa. Esta deveria ser a era de ouro para os filmes de ficção científica. Não só isso, existem tantos tópicos recentes esperando para serem explorados, como a genética, nanotecnologia, questões de privacidade (alô, internet), células-tronco, etc.

Os filmes de ficção científica estão cada vez mais perdendo a capacidade de transcender os limites do nosso tempo. Precisamos voltar a criar futuros fantásticos, que nos motive a sonhar com amanhãs excitantes.

Se vivemos os últimos 40 anos inspirados pelo cinema futurístico, o que nos motivará daqui pra frente?

*Este texto é uma derivação do ótimo Shoot First, No Questions Later de Owen R. Smith.

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Criador do @cultpopshow, amante de cultura pop e boas conversas. Faminto por novas ideias e fascinado pela história da juventude. Ama ler, escrever, ouvir músicas e assistir a séries de TV.

  • Henrique Uhlmann

    Antes mostravam um futuro no qual nem imaginávamos que chegaria,
    que fosse possível. Era tão surpreendente que instigava nossa imaginação e
    fazia a gente sonhar acordado cada vez que assistisse um destes filmes. Hoje,
    como você comentou, vemos o que lá trás era mostrado, mas agora com melhores efeitos, em HD ou 3D. Minimalista
    ou apocalíptico. Não desenvolve, não sai disso, não propõe nada de novo. E só parei pra pensar sobre ao ler este texto. Parabéns, está excelente!

    • Danilo Novais

      Obrigado, Henrique :D

  • Lucas Soares

    De fato, concordo com tudo dito no post. E até imaginei Prometheus, Oblivion e Elysium antes de iniciar a leitura do texto. Os três títulos tem seus momentos bons, mas os momentos ruins estão em quantidade imensamente maior.

    Se pararmos para pensar, Elysium tinha um puta potencial para discutir questões como a questão da saúde, que só temos o ensejo das câmaras de recuperação em momentos pontuados do filme e quando a personagem de Alice Braga coloca em mente para salvar sua filha. Por mais original que pareça a ideia do filme, ela foi pensada nos anos 70 por funcionários da Nasa, que chegaram a desenvolver protótipos e projetos relacionados ao que vemos no filme. (http://motherboard.vice.com/blog/nasas-1970s-vision-of-space-colonies-inspired-neil-blomkamps-emelysiumem)

    Em Oblivion, a americanização heróica excessiva de hollywood fica, além de evidente, pedante. E não existe nada pior em um filme de ficção científica do que isso. O filme chega querendo ser o que jamais será. O aspecto gráfico é impecável, mas não passa disso. A história é clichê e a atuação de Tom Cruise não acrescenta nada além do que já é previsto.

    Sou fã da categoria e já penso nesta falta há um tempo. Não consigo me lembrar de nenhum filme recente, do gênero, que tenha feito alguma proposta de algo possível a ser assimilado por nossa realidade. Uma pena!

    • Danilo Novais

      Não poderia concordar mais contigo, Lucas. Principalmente em relação a Oblivion. Do filme, pra mim, fica só a estética.

  • Diego Pollon

    O mais chocante é que o filme que eu vi recentemente e que mais saiu do cotidiano do cinema foi Anna Karenina! A mesma história mas contada de uma maneira tão diferente que quase me deixava ansioso pra saber o que ia acontecer, mesmo já sabendo! Já esses filmes.. não saem do arroz e feijão, são eles tão fracos que o “mundo satelite” em que vivem os ricos de Elysium é baseado em uma ideia já antiga que a NASA tem.. vai entender..

  • Grazy Dos Santos

    De fato, não existem mais filmes fantásticos como “O quinto elemento”. Todos os filmes de ficção científicas estão morosos e chatos, muuuuuito insossos mesmo.
    Acho que os diretores do gênero perderam o toque de criatividade porque chegamos ao chamado futuro super tecnológico, e tanto carros voadores como máquinas do tempo não existem (ainda…), e talvez seja exatamente essa a questão. É um baque!!! Então, pra que criar novas ideias se insistir no time que está ganhando é muito mais simples, não é?!

    Pura ironia, e bobagem, na verdade. Ficamos no aguardo de novos diretores que tenham surtos imaginativos fantásticos capazes de surpreender quem é fã da ficção científica, e torcendo para que haja uma reciclagem nos próximos filmes.

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  • Diego Guzzi Felix da Silva

    Sabe os animes atuais de ficção cientifica,mesmo os mais pops colocam elementos atuais em suas tramas como Majestic Prince e Valvrave que colocam a internet num cenario de space opera tornando suas tramas palataveis para um publico atual e não a um velho saudosista e nostalico.

    • Danilo Novais

      Diego, não entendi muito bem se seu comentário é uma crítica ou um acréscimo ao texto. Mas obrigado, mesmo assim.

  • jose orlando

    primeiro vamos estabelecer uma coisa ,o que é ficcao cientifica!
    varios filmes citados aqui sao na verdade aventuras futurista , onde nao existe uma ideia cientifica central que norteia todo o enredo do filme , e star wars(todos eles) , o quinto elemento e tanto outros sao apenas aventuras com naves , carros voadores e situada no futuro , e para provar isto e so transformar as naves em navios , os jedi em samurais , o sabre de luz em katanas e pronto o mesmo enredo funciona . ja em o quinto elemento e uma fantasia futurista e , pior , ainda mais que traz como base a alquimia , nao pelo seu lado cientifico e sim pelo lado mistico.
    e o que as pessoas esperam ver em filmes de ficcao cientifica? duvido que um filme baseado no boson de higgs iria fazer algum sucesso entao se recorre a velhas formulas como a viagem no tempo e coisas da moda como manipulacao genetica , como tratado em prometheus e alem da escuridao .
    em oblivion temos um argumento bem interessante , ainda que confuso , sobre o roubo de recursos , tb explorado no quarteto fantastico , se bem que neste ulltimo nao seria um roubo e sim uma refeicao, mas a pergunta nao foi respondida.
    ver um filme de ficcao cientifica para se ter ideia de geringoncas que serao usadas no futuro me parece absurdo , mesmo porque a ideia de maquinas futuristica muda , o tempo todo e de forma que nao podemos sequer imaginar .
    em laranja mecanica o futuro da divulgacao musical era o micro cassete e hoje os cds ja estao obsoletos , sem terem completado a maioridade e oque dizer dos VHS?
    filmes realmente de ficcao cientifica parecem que nao agradam ao grande publico entao,,, tiro , porrada e bomba

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