Image
Voltar ao topo
Exibir menu
6 de janeiro de 2014

Eu não aguento mais ler sobre selfies

Ou melhor, não aguentava, até saber que James Franco resolveu explicar o seu significado no New York Times.

É considerável o número de artigos sobre a mais-nova-velha-tendência do mundo digital: selfies. Este é um deles, inclusive, mas adianto que está mais para um desabafo do que um debate profundo sobre seu significado nos dias atuais.

O repentino interesse em algo aparentemente ridículo nem precisa ser defendido, afinal hoje qualquer besteira ganha eco online, porém os dados falam por si só: as hashtags #me e #selfie foram usadas em mais de 200 milhões de imagens postadas no Instagram – apenas em 2013. Mas eu não aguento mais ler, ouvir ou falar de selfies, tanto pelo indício de que soa como mais uma das inúmeras tendências da web, que a princípio são legais, mas depois cansam e passam como foguete; quanto pelo fato de que pra mim, todo esse alarde faz pouco sentido. Ou melhor, não aguentava, até saber que James Franco resolveu explicar os diferentes significados de uma selfie.

Oras, estamos falando de James Franco. E quem melhor do que alguém multitarefas e bem conectado para argumentar sobre selfies no The New York Times? O ator/diretor/escritor/produtor possui perfis com taxas de engajamento altíssimas nas redes sociais. Seu Instagram é uma verdadeira galeria de selfies e loucurinhas. E nós adoramos porque ele é um cara talentoso, cool, fácil de gostar, e uma das celebridades que demonstram pouca preocupação com o próprio umbigo e uma consciência de mundo mais próxima do real.

Em sua dissertação de quase 800 palavras, Franco primeiro faz comparações óbvias, como a inegável popularidade das selfies em relação a outros tipos de imagens. Chega até a confessar que realizou testes nos perfis, ora postando fotos artísticas e de trabalhos, ora selfies, concluindo que as últimas receberam mais likes e menos haters que outras. Ele ainda acrescenta que uma boa coleção de selfies retém maior atenção dos followers, e a busca por atenção é o que realmente importa nas redes sociais. Atenção é poder.

Conforme a barra vai rolando, James filosofa sobre a força das selfies e atribui mais alguns significados para a mesma. No entanto, será que precisamos mesmo debater tanto sobre algo que não faz diferença alguma em nossas vidas? Parece que o crescente desespero do mundo em querer entender tudo o que acontece online nos obriga a supervalorizar coisas superficiais ou que não merecem o valor cedido.

Não sei se é uma percepção errada, mas estamos cada vez mais preocupados em analisar assuntos pequenos, como a banalização de curtidas no Instagram e Facebook ou a distribuição exagerada de corações em comentários. E acabamos nos preocupando menos com questões maiores, como o barulho excessivo que temos gerado no ciberespaço ou como nos esquecemos de sair e experimentar situações reais offline.

Talvez, apenas talvez, uma selfie seja apenas uma selfie. Sem exageros de quem fada o estilo como a mais recente artimanha do narcisismo, ridicularizando aqueles que gostam de utilizá-lo; ou de quem confere acepções cultas que simbolizam mais do que realmente são.

/ Para continuar a discussão:
A reflexão de James Franco para o New York Times pode ser brilhante, mas provavelmente não é (em inglês)

Alicia Lutes, do Bustle, diz o porquê acha o texto de James Franco mais do mesmo.

Quando se trata de selfies, James Franco poderia aprender algo de Lady Gaga (em inglês)

Russell Smith assim como eu, não aguenta mais ouvir falar sobre selfies, mas se sentiu induzido a comparar James Franco com Lady Gaga e sugere uma lição ao ator.

/ Gostou deste post? Então experimente nossa newsletter semanal. Assine nossa newsletter.

/

Criador do @cultpopshow, amante de cultura pop e boas conversas. Faminto por novas ideias e fascinado pela história da juventude. Ama ler, escrever, ouvir músicas e assistir a séries de TV.

  • Henrique Uhlmann

    Acho que toda selfie tem um pingo de narcisismo almejando alguns “likes”. Sejam aquelas com algum significado filosófico atribuído, aquelas com despretensiosas caretas ou aquelas que são somente um selfie e nada mais. Mas seja lá qual for o sentido, todo este buzz em volta do assunto cansa. Ótima matéria, Danilo!

  • Pingback: Os segredos que selfies revelam sobre a cultura de diferentes países - Cult Pop Show()

/CultPopShow © 2008-2014. Todos os direitos reservados.   |   Agência WCK