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3 de setembro de 2014

Chola e a apropriação cultural de estilos marginalizados

Quando ícones pop adotam estéticas de culturas menos favorecidas para promoverem seu trabalho estão, na verdade, homenageando ou se apropriando delas?

FKA Twigs

FKA Twigs

O estilo Chola pode não ser tão comum para nós, brasileiros, por integrar uma subcultura tradicionalmente americana. Ultimamente, ele tem sido estampado em editoriais de moda, incorporado por diversos cantores e superestimado pela massa, assim como qualquer outra coisa hoje em dia. Mas quando você para pra entender como surgiu essa tendência, você percebe que as coisas não são tão legais quanto parecem.

Criado no século 16 para designar, de maneira depreciativa, escravos latinos, chicanos ou a miscigenação latino-americana ocorrida nos EUA, o termo Cholo mudou de lá pra cá. Passou a ser associado à subcultura méxico-americana que, apesar da origem pejorativa, adotou o estilo como símbolo de orgulho do poder étnico nos movimentos de 1960 contra o racismo e a separação de classes.

O Chola ganhou mais força nos anos 90, sendo representado por garotas miscigenadas, influenciadas pelo hip hop e que andavam em grupos. O exagero é a característica chave do estilo. Sobrancelhas ultrafinas, lábios bem delineados com tons de batom mais claros, camisas abotoadas até o topo, correntes de ouro com crucifixos, mechas de cabelo enroladas, entre outros traços.

Katty Perry é um caso de apropriação cultural?

Sabendo disso, fica a questão: quando as pessoas imitam um estilo de um grupo marginalizado, elas estão se apropriando do mesmo ou fazendo uma homenagem? Existe um grande gap, e até já comentamos sobre isso aqui [clique para ler], entre as duas intenções. Quando alguém que não integra um grupo discriminado imita algo que o representa, sem ter que enfrentar o preconceito que o acompanha, está na verdade se apropriando ou, em outras palavras, se aproveitando daquela minoria. No fim, acaba não sendo homenagem, e sim artifício para autopromoção.

É aquela velha história de que é mais fácil fazer piada com o oprimido que com o opressor. A diferença é que neste caso, ícones pop adotam estéticas de classes menos favorecidas para se autopromoverem ou pagarem de cool.

Pensando nisso, o artista Michael Jason Enriques criou a série chamada Cholafied, na qual ele transforma várias celebridades em Cholas. Uma crítica direta à nossa obsessão com celebridades, as quais são muitas vezes creditadas com um trabalho que não são delas. Katy Perry que o diga.

Dá uma olhada e depois comente o que você acha sobre essa questão!

Acesse o tumblr Cholafied aqui.

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Criador do @cultpopshow, amante de cultura pop e boas conversas. Faminto por novas ideias e fascinado pela história da juventude. Ama ler, escrever, ouvir músicas e assistir a séries de TV.

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